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16/04/2018 (Atualizada em 16/04/2018)

Zezé Motta: disco 100% dedicado ao samba

Show de lançamento da turnê 'O Samba Mandou Me Chamar' acontecerá dia 30.04, no Theatro NET Rio, em Copacabana

Zezé Motta na capa do CD

Na ativa desde 1967, Zezé Motta venceu primeiro como atriz para depois deslanchar a vocação que sempre teve maior apreço: a de ser cantora. Ela já havia sido crooner na noite paulista no início dos anos 70 e gravado um CD com o ex-Secos & Molhados Gerson Conrad em 1975. Com o estouro internacional do filme “Xica da Silva”, de Cacá Diegues, no ano seguinte, no qual foi protagonista, tudo mudou. Além de consagrar-se grande atriz, virou sexy symbol e um mito para a negritude. Coroando esta fase, ela decidiu gravar um disco há exatos 40 anos, pela Warner Music, em 1978, no qual estourou diversas faixas, como “Muito prazer, Zezé”, “Pecado original”, “Magrelinha”, “Crioula”, “Rita Baiana” e “Dores de amores”, que na maioria foram feitas especialmente para ela por Rita Lee & Roberto, Luiz Melodia, Moraes Moreira e outros. Pois 40 anos depois de seu estouro inicial como cantora, sua bela voz de contralto está de volta, e muito bem gravada, diga-se de passagem, em seu novo CD, “O samba mandou me chamar”, que chega às lojas e em todas às plataformas digitais em abril pela “Coqueiro Verde Records”. O show de estreia da turnê será no dia 30 de abril, no Theatro Net Rio, em Copacabana.

Sua intimidade com o samba, entretanto, vem de longe. Em 1979, Zezé fez vibrar o país com a sua gravação de “Senhora liberdade”, de Wilson Moreira e Nei Lopes. Anos mais tarde, gravou diversos sambas-canção do repertório de Elizeth Cardoso no CD “Divina saudade”. Mas é a primeira vez que dedica um álbum inteiro ao gênero mais tradicional do país, oportunidade que a gravadora Warner já havia lhe oferecido logo que a contratou, mas que naquela altura, declinou. Entretanto, já fazia dez anos que acalentava este projeto. Neste meio tempo, em 2011, gravou um tributo a Jards Macalé e Luiz Melodia (o CD “Negra melodia”). Como tudo na vida vem na hora certa, o momento agora é de “O samba mandou me chamar”, seu oitavo disco solo (e décimo quarto, incluindo os coletivos).

Não esperem um CD “cool” ou de releitura de clássicos. Ela optou justo pelo oposto, um repertório inédito, na maioria, alternando jovens bambas no geral e alguns veteranos, com arranjos de viés mais popular, assinados pelo produtor Celso Santhana. São 13 faixas em que evita temas pesados, preferindo o tom romântico, feitas sob medida para desopilar o fígado de um país que atravessa um momento tão sofrido e necessita de um alento musical. Duas delas, “Ficar a seu lado” (Christiano Moreno/ Flavinho Silva), uma descarada declaração de amor em tom sensual, que fala em “cara metade” e elogia até o “sabor do suor” do ser amado, bem como a ancestral “Batuque de Angola” (André Karta Markada/ Juninho Mangueira), um cadenciado samba de terreiro, já iniciaram uma carreia de sucesso, mas não no Brasil. Foram festejadas pelo povo português, por terem sido incluídas na trilha da novela “Ouro verde”, que Zezé estrelou ano passado na Terrinha.

Entre os grandes destaques do CD, há uma inspirada participação do craque Arlindo Cruz, antes da sua internação que o tirou temporariamente de circulação em março do ano passado, em “Nós dois”, dele, com Maurição, e outra de Xande de Pilares, ex-vocalista do Grupo Revelação, hoje um grande astro em carreira solo, na não menos romântica “Alma gêmea” (André da Mata/ Mingo Silva/ Kinho), ambas também inéditas.








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