Retrato Rio Teste Topo
20/03/2018 (Atualizada em 21/03/2018)

Lena Bergstein ocupa três salas do Museu Nacional de Belas Artes com a mostra Ficções

Artista reúne, a partir de 20 de março, 80 obras, quase todas inéditas

Lena Bergstein | Retrato: Reprodução
Escritas, apagadas, legíveis ou abstratas, as fortes palavras de Lena Bergstein voltam ao Rio de Janeiro. De 20 de março a 21 de maio, a artista apresenta Ficções, uma das maiores e mais importantes exposições de sua carreira, que ocupará três salas do Museu Nacional de Belas Artes, na Cinelândia. Com curadoria de Laura Abreu e textos de Lauro Cavalcanti e Monica Xexéo, a mostra reúne 80 trabalhos, quase todos inéditos, entre telas, fotos e livros.

Para a criação de boa parte das obras, Lena promove um diálogo imaginário com o poeta russo Osip Mandelstam. “Sempre trabalho partindo de um texto poético. Há uns dois anos li o poema Verk, de Osip, num texto de Giorgio Agamben. Achei coincidência encontrá-lo ali e como sou fascinada pelo seu trabalho, voltei aos seus livros”, recorda a artista.

Em Ficções, a artista reafirma sua poética, desenvolvida a partir de questões da arte e da escrita, dos espaços em branco, dos silêncios das margens.  Ela trabalha com várias fotos impressas num mesmo plano, que se somam e se juntam num só e único trabalho, e as complementa com sequências narrativas. “Acrescento escritas, desenhos de estrelas, pontos luminosos, luas e intervenções com riscos e traços, que levam algum humor à seriedade das imagens”, conta.

Entre as séries inéditas estão Reflexos da Noite, Setembro e Galáxias. Na primeira, a artista utiliza 15 fotos tiradas durante a madrugada, que se revelam entre sombra e luz, noite e dia. As imagens são superpostas por desenhos e frases das quais ecoam sentimentos doloridos ou diálogos com o poeta Osip. Já na segunda série, Setembro, produzida entre 2017 e 2018, as fotografias são totalmente abstratas, e incluem fragmentos de desenhos, de palavras e um imenso espaço.

Já Galáxias são trabalhos abertos, inquietos, plenos de investigação. Nessa sala, a  terceira, a artista se permite uma liberdade, uma espécie de jogo. Lena também apresenta 20 pinturas em acrílico, inéditas, que são como páginas nas quais a escrita se mostra em relação íntima com o desenho, trazendo até o espectador a memória do tempo de origem, quando desenho e escrita perfazem uma coisa só.   

Às fotografias e telas somam-se cinco livros, todos em acrílico sobre tela, selecionados do acervo da própria artista, que serão colocados em mesas. “São obras múltiplas, abertas, inacabadas. Neles, afetos e sentimentos são vividos de página em página. A escrita sussurra. Compõe frases, espaços, planos, riscos, onde cada página difere da outra a fim de que se crie sua própria legibilidade”, resume Lena Bergstein.









STES
RODAPE SITE1
retratorio

© Retrato Rio. Todos os direitos reservados

Desenvolvido por Rique Botelho