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21/11/2015 (Atualizada em 22/11/2015)

Talvez por eu ser mestiça e trabalhar na TV, os ataques sejam menores, diz Aisha Jambo

Atriz é a carioca da semana no RR

Aisha Jambo | Foto: Guilherme Fernandez

Conhecida nacionalmente após viver por três anos consecutivos – de 2000 a 2003 -, uma jovem que abordava o preconceito de maneira leve e divertida, Aisha Jambo é lembrada até hoje por “Naomí”, sua personagem em “Malhação”, onde fez estreia na Rede Globo. Além do papel, de extrema importância e repercussão, o personagem lançou moda no universo da beleza, com uma jovem negra, despojada, e com seus fios além de soltos, originalmente encaracolados. Nascida em família de músicos, Aisha inicou os estudos artísticos aos 12 anos fazendo aulas de violão e flauta com seu pai. Sua estreia como atriz foi em 1999, em cena como uma das Bacantes no filme Orfeu do Carnaval de Cacá Diegues.

No ar como Radina através da novela 'Os Dez Mandamentos', grande sucesso da Record, a atriz posou para este site e falou sobre racismo. As imagens são de Guilherme Fernandez.

RR: Como é ser uma atriz negra?

AJ: Ser atriz, negra e ser uma mulher reconhecida pelo seu trabalho é ser desbravadora. Acho que um dos desafios como mulher negra é você se sentir plena, confiante com sua imagem, sua história, seus valores... Meu cabelo é bastante volumoso, mas sempre fui incentivada a deixá-lo solto e natural, em casa.

RR: Você já sofreu preconceito por ser negra?

AJ: Sim, com comentários preconceituosos do tipo: samambaia, cabelo bombril... Não me incomodava muito, porque me sentia bonita e entendia que essas pessoas não estavam acostumadas com uma estética fora dos padrões Europeus - o que é um absurdo sendo um país com mais de 50% da população composta por negros.

De certa forma, logo minha primeira personagem, Naomi, que era a cota, uma negra inserida em uma escola particular de classe média, o Múltipla Escolha, na Malhação, se posicionava em relação a isso. Na trama ela reivindicava respeito. Os autores abordaram o tema do preconceito, e colocaram minha personagem como uma menina forte, autônoma, decidida, respeitosa, inteligente e consciente de seu valor e história. Isso me deixou muito satisfeita.

Senti um pouco de preconceito. O racismo de uma certa forma está institucionalizado. Talvez por eu ser mestiça e trabalhar na TV os ataques e ofensas sejam menores... Mas senti sim por conta do cabelo volumoso.

Gosto muito do trabalho da atriz, cantora, e poetisa Elisa Lucinda, que trata desse assunto em seus espetáculos, livros, aulas e palestras. Ela fala muito sobre os vícios de linguagem como: 'cabelo ruim'... Percebo sim, ainda, um estranhamento quanto à beleza negra no meu espaço profissional.

RR: O que é ter consciência Negra?

AJ: Ter consciência negra é, ao meu ver, ter a consciência do papel educador, pois precisamos desde os primeiros anos da escola,  discutir a diversidade racial, socioeconômica, e reconhecer que há uma defasagem em relação a aceitação e a inserção da população negra historicamente oprimida na sociedade. 

Conhecida nacionalmente após viver por três anos consecutivos – de 2000 a 2003 -, uma jovem que abordava o preconceito de maneira leve e divertida, Aisha Jambo é lembrada até hoje por “Naomí”, sua personagem em “Malhação”, onde fez estreia na Rede Globo. Além do papel, de extrema importância e repercussão, o personagem lançou moda no universo da beleza, com uma jovem negra, despojada, e com seus fios além de soltos, originalmente encaracolados. Nascida em família de músicos, Aisha inicou os estudos artísticos aos 12 anos fazendo aulas de violão e flauta com seu pai. Sua estreia como atriz foi em 1999, em cena como uma das Bacantes no filme Orfeu do Carnaval de Cacá Diegues.







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